Eu sempre fui muito falante. Confesso que às vezes falei demais. Meu ex-marido tinha sempre uma crítica a fazer em nossas discussões e me acusava de eu não saber conversar, afinal, era sempre um monólogo: eu falando sem parar!
Fui aprendendo com o tempo a dar espaço pra ele e a gente conseguiu entrar num consenso de discussão. Mas, ainda assim, eu falava demais. Falava o que não devia, falava o que não queria.
E assim, segui. Não era só com o ex-marido que isso acontecia. Era com amigos, parentes, colegas de trabalho, alunos... A mania horrível de falar sem medir, de falar, falar, falar... E depois, era um arrependimento sem trégua: "- Mais uma vez, falei demais! Falei sem pensar... Desculpa..."
Nos últimos tempos, tenho trabalhado a minha calma.
Finalmente aprendi que a sabedoria está na capacidade de calar e não na de falar. Como no velho ditado: "boca fechada não entra mosca".
De forma geral, tem sido melhor mesmo. Gasto menos energia com discussões irrelevantes, com bate-bocas descabidos e brigas histéricas.
Isso já está tão bem inserido nas minhas atitudes que até pareço outra pessoa. E sou. Me sinto melhor, mais evoluída, mais preparada, mais madura...
Só há um porém: fico tão calada que, agora, me arrependo do que não disse...
* Foto de http://palavrasrabiscos.blogspot.com