Mostrando postagens com marcador Extraído de "As Pelejas de Ojuara" - Nei Leandro de Castro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Extraído de "As Pelejas de Ojuara" - Nei Leandro de Castro. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Eu Personagem

Texto digno de um "Quem sou eu"... Mas não sou só eu que sou assim... Ou, se for, veja se vc não é bem parecido comigo?!


"(...) Atiro no que vejo e mato o que não vejo, ao fazer um giro, faço um jirau, jogo verde, colho maduro, ensino o padre-nosso ao vigário, vou aos cajus e volto das castanhas, arranjo sarna pra me coçar, meto a mão em cumbuca, brinco com fogo e mijo na rede, aprendo com quantos paus se faz uma jangada, chovo no molhado, malho em ferro frio, meto o nariz onde não sou chamada, cago na gaiola e espero a merda cantar, cuspo no prato e digo dessa água não beberei, jogo água fria em gato escaldado, boto o carro adiante dos bois, vou com muita sede ao pote, caço na mata onde menos se espera sair coelhos, lavo roupa suja em casa, falo de corda em casa de enforcado, dou murro em ponta de faca, meto os pés pelas mãos, bato fofo, peido na linha, encango grilo, troco as bolas, bolo as trocas, bato prego sem estopa, muito me abaixo até o cu aparecer, desdenho pra comprar, troco gato por lebre, olho os dentes de cavalo dado, semeio ventos e colho tempestades, pego uma pomba na mão e deixo duas voando, vejo o que é bom pra tosse, conheço um gigante pelo dedo do pé, boto a boca no trombone, mordo e assopro, volto à vaca fria, converso pra boi dormir, não dou conta do recado, quero abarcar o mundo com as pernas, pago promessa de areia, bato com a cara na porta, uso as pernas pra que te quero, confundo alhos com bugalhos, faço negócio da China, perco o latim, chupo cana e assovio, mato dois coelhos em uma só cajadada, levo costume de casa à praça, de grão em grão encho o papo, cubro um santo, descubro outro, choro sobre o leite derramado, dou nó em pingo d’água, vejo a ocasião fazer o ladrão, brinco com cada macaco no seu galho, acho que pimenta no cu dos outros é refresco, ouço cabrito bom berrando, faço tempestade em copo d’água, encontro cu de bêbado sem dono, boto areia em saco furado, tapo o sol com peneira, dou capim novo a cavalo velho, tenho um dia da caça outro do caçador, vejo cara e não coração, não perco por esperar, prefiro estar só do que mal acompanhada, dou e volto a tomar, viro cacunda pro mar, mato cachorro a grito, junto a fome com a vontade de comer e puxo brasa pra minha sardinha! (...)"
É ou não é?!

sábado, 23 de agosto de 2008

Pedacinho de livro

Já tem um tempinho que acabei de ler esse livro e este é um dos trechos que mais gosto!
É o tipo de texto que eu gostaria de ter escrito. A passagem fala sobre a impressão de um dos personagens sobre um outro que se apresenta, mas acho que essas palavras valem pra todo tipo de "feiura"!
Lá vai:

“Vou lhe dizer o que é feio pra mim:
Feio é o choro da mãe com leite pedrado no seio, diante do filho morto por um cruel, feroz e feio. Feia é aquela sombra escura que vai levando consigo o covarde que traiu o seu mais bonito amigo. Feia é a maldade do homem, a herança de Caim, praga de mãe ofendida, tentação do Coisa-Ruim. Feio é o belo que mata por nada, só por ser belo. Para uns o roxo é lindo. Para outros é o amarelo. A beleza e a não-beleza estão juntas em toda parte. No sangue de uma ferida, na solidão de uma arte. O belo é visto em tudo, depende de quem o olha. Quem ama o sapo é a sapa, quem ama o solho é a solha. Olhe seu rosto no espelho, veja o belo, a esperança. Deus não é feio e nos criou à sua imagem e semelhança.”


Com tanta coisa "feia" acontecendo, acho que isso aí diz tudo!