quarta-feira, 14 de julho de 2010

Coisas de escola que eu nunca esqueci


1) Eu, tu, eles, nós, vós, eles
2) Análise Morfológica: vendaval: substantivo, simples, singular, masculino, derivado, trissílabo, oxítono...
3) Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpter, Saturno, Urano, Netuno, Plutão (que já não é planeta)
4) Reino, Filo, Classe, Ordem, Família, Genero, Espécie
5) A, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, perante, por, sem, sob, sobre, tras
6) ΔV= ΔS / Δt
7) √-a ∉ R
8) pH maior que 7, básico; pH = 7, neutro; pH menor que 7, ácido
9) Toda proparoxítona é acentuada
10) Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço
11) Tudo é relativo e portanto, depende do ponto de vista do observador.
12) Para toda ação existe uma reação de mesma força e intensidade porém com sentidos opostos
13) Acre - Rio Branco, Rondonia - Porto Velho, Roraima - Boa Vista
14) Antes de P e B só se usa M
15) Nunca bater de cinto no coleguinha para não parar na diretoria...

* Foto daqui

terça-feira, 13 de julho de 2010

A Prisão dos cachorros

Texto publicado pelo jornal A TARDE de domingo (11/07/2010), escrito por Malu Fontes - jornalista, doutora em comunicação e cultura e professora da Facom-UFBA:

"No fim da tarde da ultima quarta-feira, uma cena insólita era exibida por alguns dos telejornais sensacionalistas nacionais do fim de tarde. Carros de Corpo de Bombeiros, dezenas de viaturas, uma multidão de policiais e um mar de gente aglomerava-se em frente a uma casa de classe média na cidade de Vespasiano, nas imediações de Belo Horizonte.
Os bombeiros e a Polícia esestavam no local para, antes de qualquer coisa aprreender uma matilha composta por 10 rottweilers e um vira-latas. Os cachorros eram 'acusados' de ter devorado, para eliminar provas, após o esquartejamento, o corpo de Eliza Samudio, amante do goleiro Bruno, do Flamengo, acusado de matá-la para livrar-se da assunção de uma paternidade indesejada de um bebê de quatro meses.
Sim, os cachorros foram presos diante das câmeras, numa espécie de narrativa nonsense que nem mesmo em seus mais delirantes arroubos de criatividade os roteiristas de cenas bárbaras de Jogos Mortais poderiam propor, sob o risco de criarem algo impossível de ser crível em qualquer pacto de leitura do espectador.
Nem mesmo nas cenas mais violentas das obras primas de Quentin Tarantino, como Pulp Fiction, seria crível que um grupo de homens desses que têm mãe, filhos, família, emprego e nenhum diagnóstico de transtorno mental, atirasse pedaços de carne humana fresca a cães de guarda domésticos e concretassem ossos sob o piso da casa onde vive a matilha, pertencente a um ex-policial civil. Tudo isso para construir a tese de que não há crime sem cadáver.

Jogos Mortais

Voltando cerca de uma semana no tempo dos telejornais, lá estão as cenas em que o mesmo goleiro Bruno ao voltar aos treinos no Flamengo, se mostra sorridente e descontraído para a imprensa, a quem diz que espera que a amante, ex-amante ou o que quer que Eliza tenha sido em sua vida, reapareça logo para esclarecer o mal entendido criado pelo desaparecimento. Sabe-se, agora, que ele sabia mais do que ninguém que a moça jamais apareceria e sabia por quais razões. E mesmo assim, sorria?
Para o circo ficar completo, só falta alguma entidade de defesa dos animais usar um habeas corpus para libertar os cães, afinal foram condenados sem direito a julgamento.
Na história recente da crônica policial, jornalística e televisiva brasileira o que não faltam são casos em que o telespectador fica boquiaberto enquanto profissionais de imprensa de todos os quilates narram os detalhes mais sórdidos. Os casos Richthofen, Eloá, Nardoni, João Hélio, o menino das agulhas, a procuradora que torturava a filha adotada e, recentemente, o caso Mércia. Os elementos iniciais do cenário da morte de Eliza, no entanto, são insuperáveis. Começam com narrativas de orgias sexuais do tipo em que constam elementos como anões, jumentos (sim, os asnos mesmo), ex-BBBs e essa categoria difusa que se autointitula genericamente como modelo, e terminam com 10 rottweilers acusados de comer um ser humano. Nada mais surreal do que o contido Paulo Renato, repórter da Globo, narrando no Jornal Nacional como os matadores de Eliza teriam atirado suas mãos decepadas para os cachorros. Jogos Mortais deveria reividicar censura livre no Brasil

Micro-ondas

Independente do desfecho do episódio, o fato é que ele já produziu detalhes inesquecíveis para os telespectadores. O caso é de uma narrativa tão grotesca que parecem sobrar elementos sordidos, em se tratando de uma istória só. Para além de se tratar de mais uma contribuição abjeta para a espiral incessante da violência cometida contra a mulher no Brasil, há de tudo neste caso. Eliza foi abandonada pela mães ainda bebê, sob a alegação de que o pai era um agressor contumaz. Com o desaparecimento da moça anunciado na mídia, a mãe volta à trama, chorosa, implorando pela guarda do neto, o bebê objeto da tragédia da filha. A guarda provisória está com o avô que, como se não bastassem todos os demais dados dessa história já vindos à tona, apareceu na imprensa esta semana como acusado deo crime de estupro contra uma menina de 10 anos, no Paraná.
Em meio a tudo isso e às negativas de Bruno, o advogado dos amigos do goleiro acusados de participação no crime afirmava acertivo: 'Vou desmontar esse depoimento. Um cachorro nõa come 20 quilos de carne. E só se Macarrão fosse estúpido para levar o corpo para esconder em Minas, com tantos microondas no Rio'. Para quem não sabe, microondas são pilhas de pneus onde, nos morros, os traficantes queimam o corpo de suas vítimas para eliminar provas. Argumento bem fundamentado é assim. Macarrão, Luis Henrique Romão, o amigo-empregado de Bruno, é um personagem à parte, um tipo naturalíssimo na rotina doméstica de todo novo rico e emergente. É uma mistura de empregado, escravo de luxo, puxa-saco e capitão do mato. Faz de tudo, de captação de gostosonas para as orgias à assunção da culpa pelas coisas indizíveis feitas pelo patrão. É a versão vulgarizada e adaptada de eminência parda para pagodeiros, jogadores de futebol, políticos corruptos, estrelas drogaditas e emergentes e decadentes em geral."

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Querer

Eu só queria que você pudesse enxergar
Que eu queria tudo, menos deixar
Eu só queria que você pudesse entender
Que eu queria tudo, menos perder
Eu só queria que você pudesse sentir
Que eu queria tudo, menos partir
Eu só queria que você pudesse pressupor
Que eu queria tudo, menos dor

Eu só queria poder esquecer
Que amei você sem querer
* Foto minha - Dia de chuva - junho 2010.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

São João


Coloquei o vestido caipira no varal pra tomar um ar. Esqueci, propositadamente, ele lá. Este ano, São João não passou por aqui...

* Foto minha: caipira no varal - Nilo Peçanha - Junho, 2009

terça-feira, 22 de junho de 2010

O sonho, a mensagem de Maria

Essa noite sonhei que estava em uma escola, participando de algum evento multidisciplinar. Muitas atividades e dinâmicas que deixaram um clima gostoso entre todos que participavam do evento. Ao final, saímos da sala todos juntos e, qual não foi minha surpresa quando EU, e somente eu, vi Maria Sampaio a me esperar na passagem. Estava de branco, óculos engraçados, cabelos curtos que formavam pequenas ondas entre fios brancos e castanhos-avermelhados. Sorriu, deu uma piscadela e acenou um "legal", como se desse notícia. Na mão, segurava um fio de nylon e eu, mesmo seguindo o fluxo dos colegas, fui acompanhando com o olhar até onde ia aquele fio. Lá no alto, na ponta, tinha uma pipa laranja (ou seria um balão de São João?!) com diversos objetos pendurados: uma pulseira de acrílico de casco de tartaruga, um chaveiro de bolinhas roxas, um controle remoto, uma tampa de lente de máquina fotográfica, uma tiara de cabelo dourada, chaves soltas e alguns anéis de prata e ouro. Fui vendo tudo e antes de ela sumir sorrindo, reparei que usava as meias coloridas. Sorri de volta. Acordei com lágrimas nos olhos...
Alguém reconhece esses objetos? Se reconhecerem aviso: estão lá na pipa de Maria!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Percebendo tudo...

... e reparando nos detalhes

sábado, 5 de junho de 2010

Reservo me

Reservo-me o direito de te amar calado
Reservo-me o direito de te amar
Reservo-me o direito de te
Reservo-me o direito de
Reservo-me o direito
Reservo-me o
Reservo-me
Reservo.

(Reservo me - Bruno Aragão)

* Para escutar essa e outras músicas, clique no título e vá direto playlist.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

domingo, 23 de maio de 2010

Poema do Menino Jesus


Num meio-dia de fim de primavera eu tive um sonho como uma fotografia: eu vi Jesus Cristo descer à Terra.
Ele veio pela encosta de um monte, mas era outra vez menino, a correr e a rolar-se pela erva, a arrancar flores para deitar fora, e a rir de modo a ouvir-se de longe.
Ele tinha fugido do céu. Era nosso demais pra fingir-se de Segunda pessoa da Trindade.
Um dia que DEUS estava dormindo e o Espírito Santo andava a voar, Ele foi até a caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro Ele fez com que ninguém soubesse que Ele tinha fugido; com o segundo Ele se criou eternamente humano e menino; e com o terceiro Ele criou um Cristo eternamente na cruz e deixou-o pregado na cruz que há no céu e serve de modelo às outras.
Depois Ele fugiu para o Sol e desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje Ele vive na minha aldeia, comigo. É uma criança bonita, de riso natural.
Limpa o nariz com o braço direito, chapinha nas poças d'água, colhe as flores, gosta delas, esquece.
Atira pedras aos burros, colhe as frutas nos pomares, e foge a chorar e a gritar dos cães.
Só porque sabe que elas não gostam, e toda gente acha graça, Ele corre atrás das raparigas que levam as bilhas na cabeça e levanta-lhes a saia.
A mim, Ele me ensinou tudo. Ele me ensinou a olhar para as coisas. Ele me aponta todas as cores que há nas flores e me mostra como as pedras são engraçadas quando a gente as tem na mão e olha devagar para elas.
Damo-nos tão bem um com o outro na companhia de tudo que nunca pensamos um no outro. Vivemos juntos os dois com um acordo íntimo, como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer nós brincamos as cinco pedrinhas no degrau da porta de casa. Graves, como convém a um DEUS e a um poeta. Como se cada pedra fosse todo o Universo e fosse por isso um perigo muito grande deixá-la cair no chão.
Depois eu lhe conto histórias das coisas só dos homens. E Ele sorri, porque tudo é incrível. Ele ri dos reis e dos que não são reis. E tem pena de ouvir falar das guerras e dos comércios.
Depois Ele adormece e eu o levo no colo para dentro da minha casa, deito-o na minha cama, despindo-o lentamente, como seguindo um ritual todo humano e todo materno até Ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma. Às vezes Ele acorda de noite, brinca com meus sonhos. Vira uns de pena pro ar, põe uns por cima dos outros, e bate palmas, sozinho, sorrindo para os meus sonhos.
Quando eu morrer, Filhinho, seja eu a criança, o mais pequeno, pega-me Tu ao colo, leva-me para dentro a Tua casa. Deita-me na tua cama. Despe o meu ser, cansado e humano. Conta-me histórias caso eu acorde para eu tornar a adormecer, e dá-me sonhos Teus para eu brincar.

Fernando Pessoa

*Foto: Luciano Malanski

domingo, 2 de maio de 2010